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10/01/2018

Educação x Pobreza: como funciona esse ciclo?

O plano de erradicar a pobreza até 2030 faz parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) da ONU e, nesse âmbito, a educação tem se mostrado uma dos meios mais elucidativos no combate à desigualdade.

Além de denunciar a falta de oportunidades semelhantes a todos, o acesso ao ensino é o principal contribuinte de uma sociedade mais justa e igualitária.

Em estudo a ser discutido no próximo Fórum Político de Alto Nível da ONU, a Unesco afirmou que a pobreza mundial poderia cair pela metade se todos os adultos terminassem o ensino secundário.

Por outro lado, novos dados do Instituto de Estatística da ONU mostram altas taxas de jovens fora da escola em diversos países e o mais provável é que os níveis de graduação secundária continuem abaixo das metas pelas próximas gerações.

Neste post, nós compilamos algumas informações que mostram como a educação tem um papel fundamental tanto na proliferação das desigualdades quanto na luta para sua resolução.

Continue a leitura e entenda por que esse é um dos assuntos mais urgentes para o setor social:


1 em cada 10 pessoas negras ou pardas são analfabetas no Brasil

 

Em 2016, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) registrou 11,8 milhões de analfabetos no país. 

Dentre eles, notou-se que a taxa de analfabetismo é maior entre as pessoas declaradas negras e pardas, cujo índice chega a 9,9%, enquanto a taxa entre as pessoas brancas é de 4,2%.

A pesquisa também apontou que o local com o maior índice de analfabetismo foi a região nordeste, com 14,9% de analfabetos. Comparado ao Sudeste (3,8%) e ao Sul (3,6), o índice do nordeste é quatro vezes maior.

Além disso, apesar da obrigatoriedade da matrícula no ensino básico (fundamental e médio), um levantamento de 2015, feito pelo Todos Pela Educação, aponta que o Brasil possui 2.486.245 crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos fora da escola.

As chances de que esses indivíduos permaneçam na linha da pobreza por falta de oportunidades no mercado de trabalho, em função de seu comprometimento educacional, é grande.

Porém, o acesso ao ensino em comunidades pobres ainda é precário: fatores como transporte, localização e falta de infraestrutura dificultam significativamente a inclusão destes em uma escola de qualidade, que ofereça os instrumentos necessários para mudarem suas condições de vida.


Apenas 34,6% dos jovens de 18 a 24 anos estão matriculados no ensino superior no Brasil

 

Segundo o relatório “A distância que nos une”, da Oxfam, apenas 18% dos jovens cursando ensino superior concluem seus estudos, efetivamente.

Sob a ótica racial, as desigualdades de acesso ao ensino superior no Brasil são marcantes. Em 2010, negros representavam apenas ¼ dos diplomados no Brasil.

Além disso, cursos universitários de carreiras com rendimentos altos são território de brancos: a chance de pessoas negras completarem um curso universitário de Engenharia é duas vezes menor que a dos brancos, por exemplo.

No caso de carreiras médicas, como a Odontologia, a chance é cinco vezes menor.

Ainda segundo o relatório, além da inclusão educacional, a redução de desigualdades requer melhor qualidade do ensino para todos. O Brasil ocupa o 59º lugar em matéria de leitura e o 65º em matemática no ranking de 70 países avaliados no último Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA).

De qualquer forma, o despreparo acaba atingindo mais os negros, em especial os de Classe E.

Em 2011, a probabilidade de um jovem branco da classe A, no último ano do ensino fundamental, ter acesso a professores com ensino superior completo era de quase 100%, caindo para menos de 80% no caso de jovens negros da classe E.

Esse cenário leva estudantes a competirem por vagas em universidades públicas em condições extremamente desiguais.

A evasão e a baixa qualidade dos ensinos fundamental e médio afetam os que pertencem às classes de baixa renda, sobretudo negros, criando condições de desigualdade expressiva tanto na educação quanto no mercado de trabalho.


Dos 61 milhões de crianças ao redor do mundo que não frequentam uma sala de aula no ensino primário, 30% nunca pisarão em uma escola

 

A níveis mundiais, os dados são ainda mais preocupantes.

Tornando à Unesco, seu documento revela que 9% das crianças no mundo não têm acesso ao ensino primário e esse índice aumenta nos níveis mais altos.

Ao todo, 267 milhões de crianças, adolescentes e jovens estavam fora das escolas em 2015, quando foi conduzida a pesquisa.

As meninas são as que mais sofrem com essa situação nos países pobres. Nos países de baixa renda, mais de 11 milhões de meninas em idade escolar primária estão fora dos colégios em comparação a 9 milhões de meninos.

Assim, cai-se em um ciclo vicioso em que a pobreza dificulta o acesso à educação e a falta de educação dificulta a saída da pobreza.

Por isso, a prioridade da ONU e suas nações parceiras é reconhecer a educação como a “alavanca central”, nas palavras da Unesco, para acabar com a pobreza em todas as suas formas e em todos os lugares.

De acordo com seus dados, 60 milhões de pessoas podem escapar da pobreza se todos os adultos tiverem dois anos de ensino secundário. No caso de uma graduação, esse número sobre para 420 milhões.

 

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